Flávio Ítavo apresenta quatro diferentes tipos de orçamentos

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45% dos brasileiros admitem não fazer um controle efetivo do próprio orçamento

Fonte: Flávio Ítavo

De acordo com um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) quase metade da população brasileira admite não colocar em prática um planejamento financeiro, enquanto 40% dos comerciantes e empresários do ramo de serviços fizeram ajustes no orçamento para enfrentar a crise do último ano.

O especialista Flávio Ítavo aponta que não há uma “receita de bolo” para executar um bom orçamento, mas ressalta que há pelo menos quatro diferentes maneiras de realizar a tarefa. Flávio destaca que o orçamento pode ser utilizado em situações diferentes, com limitações em cada um dos escopos e resultados diversos. Abaixo ele exemplifica os tipos e como se pode atuar sobre eles.

1) Orçamento Tradicional, também conhecido como Top down: controla mais o orçamento do que planeja. Funciona com a liderança de um gestor, ou seja, muitas vezes quem exerce o cargo mais alto da hierarquia. Ele define uma missão e impõe objetivos com foco em números, e que devem ser atingidos pelos planejadores. Os planejadores dividem essa missão em partes (gestor, produto, região) e direcionam a demanda para os gestores mais baixos da hierarquia acertarem os orçamentos. Esse processo assegura o sucesso, e neste caso acertar é mais importante do que superar, crescer ou ganhar mais que o orçado.

2) Orçamento Tradicional Intermediário: similar ao tradicional, porém com perfil moderno. A definição do crescimento global da empresa continua sendo liderada por um gestor, porém as áreas da empresa possuem orçamentos individuais, que podem ser alteradas de acordo com a ordem do gestor. Quando ocorre, as áreas precisam obedecer à projeção desenvolvida pelo gestor e ficam responsáveis pela entrega de resultados que cubram o “gap” existente entre elas. Com essa medida as áreas conseguem apresentar oportunidades de crescimento e melhorias que não haviam sido detectadas pelo planejamento central, e obter um bom indicador sobre como andam as coisas em termos de desempenho.

3) Orçamento Participativo ou Botton Up: cada uma das unidades de negócio ou do negócio projetam sua própria performance, partindo de premissas que foram passadas pela organização central. Estas premissas são indicadores macroeconômicos e modelos de transferência de dados que devem ser utilizados por todos. Já a projeção de cada uma das partes é definida pela própria parte, onde obtém-se o máximo que pode ser atingido por cada uma das partes. A metodologia de planejar é mais complexa que as duas acima ficando em um meio termo entre os orçamentos mais tradicionais e o orçamento Beyond Budget Round Table – próximo a ser analisado. Esse modelo procura ter mais desempenho do que controle.

4) Orçamento modelo BBRT ou Beyond Budgeting Round Table: nesse modelo se utiliza um processo forte de “accountability” dos gerentes de linha, trazendo flexibilidade e adaptação às situações e estruturas. Nesse modelo se preconizam os seguintes princípios:

  • Governança Corporativa: A empresa possui um conjunto de valores, visão e missão muito claramente definidos e reconhecidos por todos. Neste caso o controle central não atua mais como controle, e sim a governança e os valores que atuam;
  • Empoderamento: Todos que estão no processo estão empoderados de maneira a terem liberdade de ação, tanto para fazer como para reagir aos desafios do dia-a-dia;
  • Accountability: As pessoas são responsáveis por seu desempenho competitivo. Isto supera em muito a motivação de cumprir simples objetivos pré-determinados. A missão é ser competitivo ao máximo, dentro daquilo que é da área de atuação.
  • Coordenação: A empresa é coordenada para agir e reagir às forças do mercado, não a um plano do escritório central. Caso a empresa tenha um resultado mais favorável em uma região do Brasil do que do restante, essa unidade deverá apresentar um resultado equivalente ao que se faz possível.
  • Liderança: realiza desafios, provê coaching aos funcionários e não os comanda.

Este modelo está ligado a uma maneira de ver a estrutura dos negócios de maneira diferente. O processo de negociação é desenvolvido por todas as partes e negociado e aprovado por todas elas em conjunto, daí a origem do termo Round Table, que significa mesa redonda. Trata-se de um processo mais complexo que os demais, pois carrega uma estrutura diferente de montagem do processo e controle do mesmo. Cada unidade ou parte é acompanhada por um escritório que ajusta, alinha e dá feedback continuamente aos gestores.

E por fim, Flávio Ítavo defende que o sucesso de um bom orçamento são as diversas reuniões que acontecem entre os gestor e encarregados. Estipular uma periodicidade para que elas aconteçam, no mínimo mensalmente, realizar um acompanhamento diário do plano de ação, desenhar todas as inconsistências dos números planejados e fazer os reajustes garantem resultados positivos para a companhia.

Saiba mais:
Flávio Ítavo | flavioitavo.com.br | [email protected]

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