Basilicata: 104 anos de história contada por 5 gerações

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Minha melhor lembrança do Basilicata é que no ano de 2003, quando trabalhava na Rua Treze de Maio, toda sexta feira era o dia de almoçar com o meu chefe, que já tinha como rotina me pedir para ir até a padaria comprar frios, pães e antepastos. Na época, achava o “menu” o máximo! Mal sabia que estava conhecendo um caminho na gastronomia sem volta…

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Ele me dava dinheiro e pedia a notinha, então eu atravessava para o quarteirão de cima em direção ao número 596, que tinha uma portinha estreita com acesso a uma padaria minúscula. Quantas vezes esperei alguém sair para entrar… Amava namorar as vitrines, pois na época era tudo novidade para mim – alcachofras em conserva, sardela, tomate seco, pão italiano já fatiado, pastas com sabores infinitos e com especiarias que nunca tinha visto antes.

O que eu não sabia na época é que por trás daquela portinha tinha quase um século de história! A Padaria Basilicata foi fundada em 1914, no bairro do Bixiga, um reduto das raízes da colônia italiana. Felipe Ponzio, nascido no Sul da Itália na região da Basilicata, trouxe para o Brasil a receita de um pão que se tornaria o mais famoso da cidade até os dias de hoje: Pão Italiano Basilicata.

Minha maior surpresa foi conhecer recentemente um lugar completamente repaginado, com todos os produtos tradicionais, no entanto, com ares e receitas novas. Falo no novo espaço intitulado Basilicata – Pão, Empório e Restaurante, inaugurado no ano passado, que hoje já tem a quinta geração a frente do negócio, e que faço questão que esteja sempre no meu roteiro quando estou na região.

O local ainda preserva a famosa padaria, que não é mais minúscula; da produção própria tem além dos pães, massas, calabresa, pastas, sorvetes etc. Fora o mix de produtos que não fica atrás de muito lugar badalado no Jardins. Um espaço para café da manhã na áera externa deixa o dia comecar ainda melhor.

Subindo um lance de escada até o restaurante, comandado pelo jovem Chef Rafael Lorenti, é possivel saborear os pratos que cultivam os sabores do Sul da Itália, misturadas com receitas da família.

Apesar dos apenas 29 anos, Rafael é bem ousado nas criações, bem como as reproduções fiéis de pratos típicos que usam ingredientes raros e inusitados que compõem seu cardápio autoral, como o Cime Di Rapa (folhas de nabo italiano que se assemelham ao sabor da mistura de brócolis com escarola, que são cultivadas na própria horta do Chef e para render o ano todo, as prepara em conserva) e o Nduja, um embutido calabrês de carne suína com peperoncino e páprica, que tem uma textura muito cremosa.

O centenário pão italiano faz parte da decoração até o cardápio – presente com o miolo do pão italiano servindo de base para o recheio da berinjela, a casca para a produção das bruschettas e a molica, farofa de pão italiano com castanhas, que acompanha alguns pratos.

O Bar é bem criativo, conta desde drinques clássicos até uma seção exclusiva para Negroni & Famiglia, além dos autorais, que compõem a seção do cardápio Famiglia Basilicata.

 

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