A paciência e a tolerância

A paciência e a tolerância


Paciência e tolerância são, para mim, coisas bem diferentes uma da outra.

A paciência eu acho mais rápida, mais terrena. É aquele respiro que a gente precisa ter para não sair quebrando tudo por impulso. E para ter paciência é preciso aceitar os fatos. Há coisas que não podem ser diferentes e não adianta ser impaciente diante delas. Como o trânsito, por exemplo. É um carro atrás do outro, não dá para passar por cima, precisa manter a calma e esperar andar. Então pratique a paciência: ouça música, observe a cidade, as pessoas ao lado, pense na vida. Faça qualquer coisa menos se irritar, porque a irritação não vai fazer o carro da frente andar.

E aí vem o longo prazo da paciência: a tolerância. Tolerância está mais relacionada ao macro-ambiente, à humanidade, ao mundo. É ser paciente com as coisas maiores e mais demoradas de resolver ou aceitar. A tolerância não se tem, por exemplo, com o que uma pessoa faz, mas com o que ela é. E então tolerar é se adaptar ao outro, aceitar o que o outro é. Se você é capaz de tolerar as diferenças dos seres humanos, pode se relacionar com todos os tipos de pessoa, e aprender com todos os talentos particulares e diferentes que elas possam ter. E o mais bonito disso tudo: pode alimentar os talentos de cada um simplesmente sendo tolerante.

Um bom exercício de paciência e tolerância é a gente perceber nossas próprias limitações. Quando você percebe uma limitação sua, entende que o outro também tem as dele. E então aplica-se o velho ditado: não faça com o outro o que você não quer que façam com você. Se todos têm limitações, todos devem ter paciência com as limitações alheias.

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