Me peguei irada

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Você já se pegou irada alguma vez na vida? Me senti assim esta semana. Irada. A ira é horrível, nos torna intolerantes, dominados, atritivos. É uma força primitiva que parece que nos tira a capacidade de amar. Mas meu pai, que sempre cito em minhas pequenas notinhas, e é psiquiatra, diz que a ira é um sentimento que sendo utilizado de forma positiva é necessário para proteger nosso território. Se você não lida bem com essa energia humana necessária, ela pode ir aos dois extremos. A falta da ira te deixa à mercê do auto anulação, do enfraquecimento de si mesmo, e abrimos a guarda para aproveitadores de todas as espécies.

Fiquei irada porque me deixei levar pela emoção, me deixei ser enganada e pior não me perdoei por isso. É claro que quando me toquei do sentimento da ira, chorei e fiquei meio perdida, com mais ira ainda. Mas se você entra nesse labirinto da dor, você gira em torno da ira e reforça o sentimento, e chora, e gira, e grita e pira e acha que está tudo errado e acha um dono para o erro. Mas se ao contrário, começa a andar em linha reta, mesmo que acertando algumas paredes parece que começa a tentar transformar essa energia negativa em ação positiva urgente. A primeira coisa que fiz foi olhar para frente e, ali na minha frente, vi três cartinhas lindas: uma da Fernanda Cancio, uma da Ju Saad e uma da Karina Dayan, todas assistentes maravilhosas que quando alcançaram a independência me deixaram uma carta de amor, de ternura e uma eterna lembrança de que é para frente que a gente deve olhar sempre. Depois coloquei o áudio Desireless do Eagle-eye Cherry, e fiquei dançando na frente do computador enquanto tentava escrever e deixar a ira de lado que a essa altura já estava virando birrinha de criança, né?

Comecei a me lembrar de que já fiz coisas magníficas este ano e faço um monte de coisas que definitivamente me tornam uma pessoa mais feliz. A ira foi necessária. Fez-me reagir contra uma injustiça que haviam cometido contra mim, mas de forma saudável me impulsionou para o futuro e me fez hoje uma pessoa mais humana, menos primitiva e mais madura.

“O pecado é o excesso do bom” — Santo Agostinho

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*Texto postado no meu antigo blog em 05/03/2005.

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